quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Preço do Lollapalooza resgata debate sobre a meia-entrada

Obs: O Ingresso justo apenas está divulgando o artigo e não concorda ou discorda com tudo que foi dito. Apenas queremos divulgar e discutir o que é publicado na mídia sobre o assunto.
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Publicado no O Globo Cultura

RIO - A polêmica em torno do preço salgado dos ingressos do Festival Lollapalooza resgatou o debate acerca da meia-entrada, benefício que, segundo os produtores, encarece ou mesmo inviabiliza o acesso a shows internacionais. Há uma semana, na entrevista coletiva de apresentação do evento que vai levar a São Paulo, em abril de 2012, bandas como Foo Fighters e Arctic Monkeys, os R$ 500 cobrados pelo passe "promocional" tiveram como justificativa a lei da meia-entrada. Enquanto estudantes não abrem mão do benefício, produtores e artistas criticam a forma como ele é aplicado, sem fiscalização. E todos acham que, como está, a meia-entrada não beneficia praticamente ninguém.

No Chile, metade do valor

Segundo a União Nacional dos Estudantes (UNE), até 2001, cerca de 23% dos ingressos eram vendidos com o desconto. Naquele ano, uma medida provisória determinou que qualquer instituição de ensino ou associação estudantil poderia emitir uma carteira concedendo direito à meia. Hoje, estima-se que 80% dos ingressos no país sejam comprados pela metade do preço. E boa parte do público usa documentos falsos para obtê-los — o que já ocorria, em menor escala, quando a UNE era a única organização a conceder o documento.

— Do jeito que está, a lei da meia-entrada é uma lei de mentirinha — critica Daniel Iliescu, presidente da entidade. — Queremos restabelecer o prestígio da carteirinha, mas sem o monopólio da UNE sobre a emissão do documento. Basta que toda a rede de entidades estudantis ligadas ao MEC possa emiti-lo.

A pior consequência da explosão do desconto estudantil foi o aumento substancial do valor cobrado para eventos culturais (o passe para o Lollapalooza do Chile, por exemplo, custa R$ 210). Segundo William Crunfli, da produtora XYZ Live, que trouxe ao Brasil artistas como Justin Bieber e Eric Clapton, os ingressos poderiam custar de 50% a 70% do valor atual se as carteirinhas falsas fossem eliminadas da equação. Vice-presidente de concertos e turnês da XYZ, ele diz que a situação afasta os shows internacionais.

— Esse excesso de meia-entrada não é bem recebido por ninguém. Não existe contrapartida ao promotor de eventos, que compete com outros mercados pela vinda de espetáculos internacionais. A única defesa é o aumento do valor de ingresso, que prejudica todos, inclusive o estudante — critica Crunfli.

Um projeto de lei para tentar ordenar a questão está parado na Câmara dos Deputados desde 2009. Elaborada pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), a proposta 188/2007 prevê a criação de uma carteira de estudante produzida pela Casa da Moeda e estipula que os produtores poderão vender só 40% de seus ingressos com o desconto. A UNE é contra a limitação, mas o presidente da entidade está disposto a negociar.

— O diálogo com os artistas e produtores nunca foi tão aberto. Temos uma intenção em comum, de federalizar a lei e regulamentar o seu cumprimento — afirma ele.

Músicos a favor da cota

O debate se tornou mais frequente desde outubro, quando o Estatuto da Juventude foi aprovado pela Câmara e, agora, aguarda votação no Senado. Se o projeto entrar em vigor como está, a lei da meia-entrada, hoje garantida por legislações estaduais, passaria à esfera federal. E passaria a beneficiar todas as pessoas de 15 a 29 anos. Representante do Grupo de Ação Parlamentar Pró-Música, o cantor Leone esteve em Brasília na semana passada para debater a questão.

— O benefício para todos de 15 a 29 anos manteria os preços altos. As pessoas fora dessa faixa não poderiam pagar. Queremos federalizar a meia-entrada, mas com a cota de 40%. E que as carteirinhas sejam emitidas só por entidades estudantis ligadas ao MEC — diz ele.

Sem uma nova regulamentação, algumas casas de shows improvisam maneiras de não ficar à mercê das carteiras falsas. Palcos como Fundição Progresso e Circo Voador implantaram, em quase todos os seus eventos, uma espécie de meia entrada "universal". Todas as pessoas que levam à bilheteria 1kg de alimento têm direito aos 50% de desconto. O preço inteiro do ingresso é alto, mas a ideia é que ninguém pague o seu valor total.

— Não é justo a pessoa que não falsifica carteirinhas pagar um preço tão alto — diz Uirá Fortuna, diretor da Fundição. — Do jeito que está, a lei não funciona para ninguém.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Preços altos de ingressos afastam público de shows de ícones da música no Rio


Obs: O Ingresso justo apenas está divulgando o artigo e não concorda ou discorda com tudo que foi dito. Apenas queremos divulgar e discutir o que é publicado na mídia sobre o assunto.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Publicado no Jornal O Globo


RIO - O dia 15 de novembro é uma data importantíssima no Rio de Janeiro. Além de ser feriado para celebrar a Proclamação da República, três ícones da música estarão se apresentando quase simultaneamente na cidade: Britney Spears, João Gilberto e Ringo Starr.

Fizemos uma enquete no site do GLOBO para saber qual espetáculo os leitores vão prestigiar. Dos 984 participantes, 31,91% vão ficar em casa, porque acham que os ingressos estão muito caros. Em seguida, com 19,31%, os fãs de Beatles vão marcar presença no show de Ringo Starr. Já 17,28% vão preferir ficar em casa, porque não gostam das atrações. João Gilberto vai receber 17,07% dos leitores. E a princesinha do pop, Britney Spears, ficou em último lugar na pesquisa com 14,43%.

Apesar de públicos distintos, ainda tem muita gente confusa para escolher a quem assistir. Por isso, preparamos um especial abaixo, com notícias sobre as vendas de ingressos, músicas e informações sobre os shows de cada um.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

São Paulo precisa de mais estrutura para comportar shows, diz pesquisa

Obs: O Ingresso justo apenas está divulgando o artigo e não concorda ou discorda com tudo que foi dito. Apenas queremos divulgar e discutir o que é publicado na mídia sobre o assunto.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Publicado no G1

Pode ser a banda mais badalada do momento, o astro dos grandes sucessos de outrora ou ainda o despenteado ídolo juvenil. Quando tem show importante ou qualquer grande evento em São Paulo, todo mundo já sabe o que tem no repertório: flanelinha, engarrafamento e comida cara.

É falta de estrutura. O que é uma dor de cabeça hoje pode virar uma situação caótica durante a Copa do Mundo, daqui a dois anos. São Paulo recebe hoje 12 milhões de turistas por ano. Parte deles vêm atrás de um dos 90 mil eventos realizados na cidade. Um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) avaliou dez mil desses eventos e comprovou: a infraestrutura da cidade precisa melhorar bastante.

É dia de show no Morumbi, e mais de 60 mil pessoas circulam nas redondezas do estádio. “O banheiro público infelizmente é a calçada, quando necessário. Mas tem um pessoal de umas casas que estão cobrando R$ 2,50 para utilizar”, comenta o auditor Danilo Angelo.

Em um estacionamento, a ida ao banheiro custa R$ 2 e tem fila. Há lentidão também no trânsito. Muita gente abandona o carro e segue a pé. “A gente andou só quatro quilômetros. Deixamos o carro longe para vir a pé”, diz um jovem.

Os abusos começam antes mesmo de a pessoa entrar no estádio. Afinal, quanto você pagaria a um flanelinha para deixar o carro na rua? O publicitário André Cardoso Mota ficou revoltado com o valor que o flanelinha queria cobrar. “Pediram R$ 130 para deixar o carro. Aí eu falei: ‘Não, R$ 130 é muita grana’. Eles responderam: ‘R$ 130 ou sai’. A gente saiu”, conta.

Guardar o carro nas casas perto do estádio ou nos estacionamentos também sai caro. “Um roubo: R$ 100”, reclama uma paulistana. “Um absurdo! R$ 200 é a quase a prestação do carro”, protesta uma estudante.

O geógrafo Paulo Roberto Andrade de Moraes fez uma pesquisa sobre a infraestrutura nos eventos culturais de São Paulo e encontrou preços altos nos alimentos e bebidas. “Acabam cobrando preços abusivos, como água a R$ 5 ou R$ 6, um cachorro quente ou um lanche muito simples por R$ 10”, aponta o geógrafo. Ele diz que é preciso investir na construção de locais para shows, melhorar o transporte público e o policiamento nas ruas.

“Os eventos culturais, além de exposições ou teatro, são uma das identidades dessa metrópole, movimentam um setor econômico forte, porque além do espetáculo você movimenta transporte, hotelaria, comércio, serviços e restaurantes, e geram mão-de-obra e dividendos para a cidade. Mas você vê que ainda falta muito para explorar”, aponta o geógrafo Paulo Roberto Andrade de Moraes.

“Há, sem dúvida nenhuma, necessidade de uma fiscalização muito maior, o que a polícia já tem feito, mas que precisa ter mais rigor em relação a isso. E a própria fiscalização. Os preços não podem ser onerados tanto em nome de uma oportunidade. São Paulo é uma terra de oportunidade, não de oportunismo”, afirma Tony Sando, presidente da São Paulo Convention & Visitors Bureau.

Em nota, a Polícia Militar informou que faz reuniões com organizadores de grandes shows para definir como será o patrulhamento e que conta com sistema de câmeras para reforçar a segurança da área no entorno do evento. Mas o que ninguém consegue impedir é o abuso praticado por flanelinhas. Mais de R$ 100 para deixa o carro na rua é demais.