quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Meia entrada: a boa intenção sucumbiu à picaretagem

Obs: O Ingresso justo apenas está divulgando o artigo e não concorda ou discorda com tudo que foi dito. Apenas queremos divulgar o que é publicado na mídia sobre o assunto.

Marcelo Moreira - Blog Combate Rock | Estadão

Um cidadão muito bem vestido e com uma namorada linda pretendia assistir a um filme em uma sala de cinema em Santo André. Sem corar de vergonha, apresentou uma carteira de estudante na hora de pagar. Queria a meia entrada. A carteira era de um curso de MBA, que costuma custar de R$ 15 mil a R$ 25 mil.

Cumprindo a sua função, a funcionária exigiu o comprovante de matrícula. Deu-se mal. O cidadão bem vestido transformou-se em um animal, humilhou a funcionária e disse ser promotor público.

Gritou, esbravejou e ameaçou prender todo mundo. Depois de muita gritaria e briga, o gerente cedeu e vendeu a meia entrada. Isso ocorreu em janeiro deste ano.

Volto ao tema porque a quantidade de reclamações que estão surgindo nos jornais paulistas e sites especializados sobre os abusos da meia entrada estão crescendo muito.

O volume da indignação aumentou por conta da falta de estrutura no tal Festival SWU, em Itu, que tinha como mote a sustentabilidade. O fato é que pessoas pagaram até R$ 600 por um ingresso, mais R$ 100 de estacionamento, e foram desrespeitados como consumidores, como sujeira ao extremo, lama nos locais das apresentações e filas imensas na hora de voltar para casa. Não foram poucos os protestos contra a chamada meia entrada.

Um outro caso merece ser citado nesta questão. No ano passado, uma espectadora ganhou na Justiça um processo contra uma empresa que promove shows por não conseguir comprar um ingresso pela metade do preço, mesmo sendo estudante e apresentando a carteirinha.

O artigo 2º da lei municipal paulistana nº 11.355/93 limita a 30% do total a carga destinada a estudantes em qualquer espetáculo. Inconformada, a estudante comprou o ingresso inteiro, mas decidiu processar a empresa promotora pela limitação da carga de ingressos para estudantes, alegando a inconstitucionalidade da lei municipal. A garota ganhou em duas instâncias o direito de ser indenizada.

Os dois casos ilustram a dificuldade de aplicar e fiscalizar a lei da meia entrada. O espírito da lei é válido, mas foi corrompido. A medida foi elaborada com a melhor das intenções, como uma forma de facilitar o acesso à cultura aos estudantes carentes e estimulá-los a procurar os espetáculos e ir a museus, por exemplo.

Só que faltou cuidado na elaboração da lei, em todas as suas versões pelo país afora. Em nome de uma oportunista “igualdade”, o mesmo estudante carente que sempre esteve excluído do acesso à cultura é equiparado ao aluno abonado de colégios e faculdades particulares, que pagam mensalidades superiores a R$ 1 mil – e parte deles provavelmente gasta R$ 500 em qualquer balada por aí.

A lei tem de ser revista de forma urgente em todo país, com a consequente redução da emissão de carteiras e do estabelecimento de critérios muito mais rígidos sobre quem tem direito e quem não tem, levando-se em conta a situação financeira e a idade do estudante.

A lei penaliza o resto da população, já que os ingressos “normais” praticamente dobram de preço em alguns espetáculos para cobrir o rombo causado pela disseminação da meia entrada picareta – atitude que não pode ser condenada, infelizmente. Do jeito que é aplicada hoje, de forma equivocada, torna-se inaceitável.

6 comentários:

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  2. Parte do problema é o público, que aceita calado pagar caro em shows de artistas internacionais. Muitos deles falidos e sem mercado nos EUA e Europa. Ou vivendo do golpe da carteirinha de estudante falsa.

    O Brasileiro prefere virar um contraventor e aproveitar brechas em leis feitas por escroques politiqueiros que se rebelar, protestar e boicotar tais eventos. É o jeitinho brasileiro gritando em nosso DNA.

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  3. Desculpe, mas não concordo. Limitar a meia entrada a pessoas que você julgue capacitadas a recebê-la? Não é válido. Por isso, meia entrada para ESTUDANTES, PROFESSORES e APOSENTADOS. Agora, qual professor pode usufruir? os de rede pública. Qual aposentado pode usufruir? Todos eles, afinal, são todos aposentados. Estudantes? Todos eles, afinal, todos estudam. Não há como ter essa discussão e não lesar diversas pessoas. Pense: se um estudante é de uma família mais abonada ou ele mesmo trabalha/estagia e ganha uma quantia razoável, ele não tem o mesmo direito de usufruir da meia entrada dos que os estudantes da rede pública, por exemplo? É aí que você se engana: 80% das faculdades federais são compostos por estudantes de classe média (baixa, média, alta). Ou seja, somente 20% dos estudantes das federais teriam direito? E como você faria esse controle? É a mesma coisa que falar: aposentados que ganham mais do que X não têm direito à meia entrada. Ueh, por quê? Ele não pode ter gastos com a sua vida particular/social que o limitem a pagar uma entrada inteira? E outra, mesmo que este aposentado/estudante (sim, a discussão é a mesma) tenha condição para pagar a entrada inteira, por que ele deveria se há o direito de meia entrada? Não cabe a um ou outro julgá-lo por sua condição social. Quanto ao preço da inteira ser inflacionado pela meia entrada, perfeito. Isso realmente acontece e é injusto. Mas da mesma forma que o preço da inteira inflacionou, o da meia entrada também o fez. Anos atrás - e não precisa ir tão longe, 2004, 2005 -, o preço da inteira não chegada nem à meia entrada de hoje. A inflação não é culpa da meia entrada, é culpa da ambição capitalista - e correta para elas, por que não? - das empresas que comercializam. Existem problemas, reconheço, mas isso não faz com que julguemos a meia entrada como "picareta". Ela faz o seu papel. No cinema, por exemplo, não há essa de 30%. Isso foi uma lei que criaram para beneficiar as empresas de ingressos de shows - leia-se T4F, Ticketmaster. Acho a sua discussão pontual, sim, mas com diversos adendos. Acho que pensar e discutir cada um deles trará muito mais profundidade a sua análise, e consequentemente a melhorará. Abs, Guilherme Baida.

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  4. Porém, existem pessoas em Colégios e Faculdades Particulares que ralam muito para poder pagar, além da mensalidade, o custo dos livros e dos materiais necessários, além de outros gastos. Portanto não se deve generalizar esses estudantes, MUITO diferentes dos "filhos de papai" que, como foi dito, "gastam 500 reais em uma balada".

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  5. tá aí um "artigo" de uma pessoa que não é estudante.
    DUVIDO que se fosse estudante, compraria inteira.

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  6. Sendo estudante, ganhando R$ 1000 mensais, pago 500 de mensalidade. Como esperam que eu pague mais 400 reais para assistir um show? O cara que escreveu isso concertesa não é estudante.

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