terça-feira, 26 de julho de 2011

Brasil atrai indústria de shows, com ingressos mais caros do mundo

Obs: O Ingresso justo apenas está divulgando o artigo e não concorda ou discorda com tudo que foi dito. Apenas queremos divulgar e discutir o que é publicado na mídia sobre o assunto.
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Públicado em Cultura e Mercado - Mônica Herculano

A grande onda de shows internacionais vindo para o Brasil nos últimos anos não é por acaso. Com a crise econômica, o público dos EUA e da Europa deixou de ir a shows. E, neste cenário, o Brasil se destaca como um dos países menos afetados pela recessão e com público ávido por entretenimento. É o novo pote de ouro da indústria.

Ainda assim, os brasileiros sofrem com os preços dos ingressos, muito mais altos que em outros lugares do mundo. Show da cantora Katy Perry em Los Angeles em agosto, por exemplo, custa de US$ 35 a US$ 50 (de R$ 55 a R$ 80). Em São Paulo, em setembro, o mesmo show sai de R$ 200 a R$ 450, mais taxa de conveniência (20% do ingresso) e entrega (R$ 18 em domicílio; R$ 3 na bilheteria).

De um lado, os produtores alegam que os custos no Brasil são mais altos e que impostos e aluguel de equipamentos são os reais responsáveis por ingressos tão caros. De outro, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e o Procon garantem que essas empresas praticam ações consideradas abusivas.

“Qualquer ação que discrimine o consumidor em detrimento do outro, como a pré-venda de ingressos para portadores de cartões de crédito específicos, é considerada ilegal pelo Procon”, diz Renan Bueno Ferracioli, diretor de fiscalização da entidade.

Já que as práticas são consideradas irregulares, por que persistem? Segundo Ferracioli, o Procon questiona a legitimidade da taxa de conveniência baseada em percentual, há muito tempo, e já multou essas empresas, mas não pode impedi-las desta prática.

Livro – Recém-lançado nos Estados Unidos, o livro “Ticket Masters: The Rise of the Concert Industry and How the Public Got Scalped”, dos jornalistas Dean Budnick e Josh Baron, conta histórias sobre como a indústria de shows cresceu e começou a prejudicar cada dia mais o público.

Segundo os autores, a fusão da Ticketmaster, maior companhia de venda de ingressos do mundo, com a Live Nation, maior produtora de shows no planeta, em 2009, piorou as coisas ainda mais. “É um monopólio agressivo. Eles organizam e vendem os ingressos dos maiores shows, cobram o que querem e o público tem de aceitar”, disse Budnick à Folha de S. Paulo.

Budnick afirma que, nos Estados Unidos, a Ticketmaster serve de “cambista” de seus próprios ingressos no site TicketsNow, que também pertence à empresa, mas é usado pelo público para vender ingressos que sobraram. “Os melhores lugares raramente estão à disposição do público”, argumenta.

A empresa aplicaria ainda um método pouco ortodoxo para descobrir quanto o público pagaria por shows concorridos, leiloando ingressos para shows de Madonna, Shakira, Red Hot Chili Peppers e Roger Waters. Apesar das críticas, o ex-presidente da Ticketmaster, Sean Moriarty, que renunciou em 2009, disse que considerava a prática justa.

“Descobrimos que essas práticas são aplicadas no mundo todo por grandes produtoras”, disse Budnick.

No Brasil, a Ticketmaster usa o nome Tickets For Fun. A Live Nation, desde 2008, é representada pela Time For Fun (T4F), antiga CIE.

Hoje, a T4F atua ainda no Chile e na Argentina é a maior produtora de shows da América Latina, com lucro de R$ 569 milhões em 2010. Em abril deste ano, a empresa abriu seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo e levantou R$ 540 milhões para investir na expansão para Peru e Colômbia.

Além disso, produtoras novas também estão investindo pesado e abocanharam shows de bandas independentes, como a XYZ Live, do grupo ABC, de Nizan Guanaes, e a Geo Eventos, criada no ano passado, que trará o mega festival norte-americano Lollapalooza ao Brasil em 2012.

*Com informações da Folha Online

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quinta-feira, 7 de julho de 2011

[Ponto de vista] - Ingressos seriam mais baratos se não houvesse meia entrada?

Obs: O Ingresso justo apenas está divulgando o artigo e não concorda ou discorda com tudo que foi dito. Apenas queremos divulgar e discutir o que é publicado na mídia sobre o assunto.
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A resposta é SIM. O preço é maior porque 80% pagam meia.

Quando a UNE conquistou para os estudantes o direito de pagar metade do preço nos eventos culturais, ainda na década de 1940, foi uma vitória. Mas o benefício acabou se tornando um fardo para quem paga inteira.

A conta é simples: o produtor sabe quanto que ganhar e estima que 80% vai entrar pagando meia; cabe aos outros 20% cobrir o prejuízo.

" Como a maioria paga metade , o preço tem de subir para a conta fechar" , diz Adhemar Oliveira, responsável pelos cinemas Unibanco Arteplex. No teatro não é diferente. " Sempre calculamos antes quantos vão entrar pagando meia para depois definir o preço da inteira", conta o diretor da Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo (Apetesp), Paulo Pélico.

As projeções abaixo mostram que, se a meia-entrada não existisse, o preço do ingresso inteiro cairia para quase a metade. Com a diferença que valeria oficialmente para todo mundo.

(Clique na imagem para ampliar)

Porém o projeto de lei que exige a venda de meia-entrada nos ingressos vendidos pela internet foi aprovada nesta quinta-feira (7/7) pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado (CMA), segundo a Agência Senado . A comissão está analisando se a matéria deverá retornar à Câmara ou se poderá seguir diretamente para sanção.

De acordo com a proposta, a empresa que não oferecer a possibilidade de meia-entrada fica sujeita às sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor. Porém, a lei também determina que, para ter direito à meia-entrada, o consumidor precisa apresentar os documentos necessários no momento do evento. Outra determinação prevê que o cidadão que não puder comprovar que tem direito à meia-entrada poderá complementar o pagamento para ter o ingresso com o valor integral.

O projeto de lei se baseia em uma proposta do deputado federal Felipe Bornier, que tramitou no Senado e na Câmara. Em 2008, quando Bornier apresentou o projeto, ele ressaltou que existiam empresas que se recusavam a vender meia-entrada quando a venda era feita pela internet.

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