segunda-feira, 7 de novembro de 2011

São Paulo precisa de mais estrutura para comportar shows, diz pesquisa

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-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Publicado no G1

Pode ser a banda mais badalada do momento, o astro dos grandes sucessos de outrora ou ainda o despenteado ídolo juvenil. Quando tem show importante ou qualquer grande evento em São Paulo, todo mundo já sabe o que tem no repertório: flanelinha, engarrafamento e comida cara.

É falta de estrutura. O que é uma dor de cabeça hoje pode virar uma situação caótica durante a Copa do Mundo, daqui a dois anos. São Paulo recebe hoje 12 milhões de turistas por ano. Parte deles vêm atrás de um dos 90 mil eventos realizados na cidade. Um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) avaliou dez mil desses eventos e comprovou: a infraestrutura da cidade precisa melhorar bastante.

É dia de show no Morumbi, e mais de 60 mil pessoas circulam nas redondezas do estádio. “O banheiro público infelizmente é a calçada, quando necessário. Mas tem um pessoal de umas casas que estão cobrando R$ 2,50 para utilizar”, comenta o auditor Danilo Angelo.

Em um estacionamento, a ida ao banheiro custa R$ 2 e tem fila. Há lentidão também no trânsito. Muita gente abandona o carro e segue a pé. “A gente andou só quatro quilômetros. Deixamos o carro longe para vir a pé”, diz um jovem.

Os abusos começam antes mesmo de a pessoa entrar no estádio. Afinal, quanto você pagaria a um flanelinha para deixar o carro na rua? O publicitário André Cardoso Mota ficou revoltado com o valor que o flanelinha queria cobrar. “Pediram R$ 130 para deixar o carro. Aí eu falei: ‘Não, R$ 130 é muita grana’. Eles responderam: ‘R$ 130 ou sai’. A gente saiu”, conta.

Guardar o carro nas casas perto do estádio ou nos estacionamentos também sai caro. “Um roubo: R$ 100”, reclama uma paulistana. “Um absurdo! R$ 200 é a quase a prestação do carro”, protesta uma estudante.

O geógrafo Paulo Roberto Andrade de Moraes fez uma pesquisa sobre a infraestrutura nos eventos culturais de São Paulo e encontrou preços altos nos alimentos e bebidas. “Acabam cobrando preços abusivos, como água a R$ 5 ou R$ 6, um cachorro quente ou um lanche muito simples por R$ 10”, aponta o geógrafo. Ele diz que é preciso investir na construção de locais para shows, melhorar o transporte público e o policiamento nas ruas.

“Os eventos culturais, além de exposições ou teatro, são uma das identidades dessa metrópole, movimentam um setor econômico forte, porque além do espetáculo você movimenta transporte, hotelaria, comércio, serviços e restaurantes, e geram mão-de-obra e dividendos para a cidade. Mas você vê que ainda falta muito para explorar”, aponta o geógrafo Paulo Roberto Andrade de Moraes.

“Há, sem dúvida nenhuma, necessidade de uma fiscalização muito maior, o que a polícia já tem feito, mas que precisa ter mais rigor em relação a isso. E a própria fiscalização. Os preços não podem ser onerados tanto em nome de uma oportunidade. São Paulo é uma terra de oportunidade, não de oportunismo”, afirma Tony Sando, presidente da São Paulo Convention & Visitors Bureau.

Em nota, a Polícia Militar informou que faz reuniões com organizadores de grandes shows para definir como será o patrulhamento e que conta com sistema de câmeras para reforçar a segurança da área no entorno do evento. Mas o que ninguém consegue impedir é o abuso praticado por flanelinhas. Mais de R$ 100 para deixa o carro na rua é demais.

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